O Ano Novo chega como um rito antigo: fogos no céu, promessas no ar, calendários virando páginas como se o tempo pudesse ser convencido a nos oferecer algo diferente. Mas o tempo é estoico — ele passa indiferente. A pergunta incômoda permanece: o que muda quando apenas o número do ano muda?
Sem planos, o Ano Novo é apenas uma repetição elegante do velho ano. Um cenário renovado para os mesmos hábitos, as mesmas desculpas, os mesmos fracassos silenciosos. Chamamos de “novo” aquilo que apenas ganhou outra data.
Neste ano, aprendi grandes lições. Não como slogans motivacionais, mas como cicatrizes discretas deixadas pela experiência.
1. Tolerância não é passividade.
Não é aceitar tudo o que empurram goela abaixo. Tolerar não é se anular, é escolher conscientemente onde ceder e onde permanecer firme.
2. Disciplina é o único instrumento capaz de te tirar de onde você está.
Não é inspiração, não é sorte. É agir com consistência, sustentado por um plano que sobreviva aos dias em que a vontade falha.
3. Por falar em plano: tenha um plano para o ano seguinte.
Sem planos, o Ano Novo não inaugura nada. Ele apenas repete, com estética renovada, a mesma história.
4. Conhecimento é a chave que liberta.
“Tudo na natureza está em abundância, exceto a consciência”, escreve Osho em Coragem.
E Confúcio ecoa através dos séculos: “A única pessoa incapaz de aprender é a preguiçosa.”
5. Foco.
Toda distração exige um “não”. Porque cada “sim” dito a ela é um “não” dito aos seus objetivos.
- O inimigo do tempo é a interrupção.
- A interna: pensamentos de autossabotagem, procrastinação, preguiça.
- A externa: o ambiente, convites, jogos, demandas constantes.
- A tecnológica: redes sociais, notificações, mensagens, o impulso de “só dar uma olhadinha”.
Estudos indicam que cinco minutos de distração podem custar vinte minutos de foco. Um vídeo curto, um gesto automático, e o tempo escorre pelos dedos.
Não se trata de negligenciar a vida — filhos, relações, responsabilidades. Trata-se de organizar o tempo. Se precisar interromper, retome. Reserve um espaço diário para continuar. Perseverar também é uma forma de cuidado.
Além disso, tenha tempo para si. Para reorganizar os pensamentos. Se possível, estabeleça um horário fixo.
“Quem pensa 30 minutos por dia sobre a própria vida, muda de vida.” — Joel J.
6. Tenha visão.
Projete o futuro que deseja. A visão sustenta o foco, fortalece a disciplina e dá sentido ao esforço silencioso.
7. Dinheiro.
Entenda a linguagem do dinheiro.
Não corra atrás dele — o dinheiro foge de quem o persegue.
- Sirva. A prosperidade segue quem resolve problemas.
- Tenha tempo, energia e contatos.
- Tenha ativos úteis.
- O dinheiro está nos problemas: resolva o de alguém e ele aparece.
- Trabalhe para você e com os outros, não apenas para os outros. Mesmo dentro de uma empresa, trabalhe a favor dos seus próprios planos.
- Tenha visão, objetive essa visão, projete.
8. Saúde.
Cuide do corpo. Sem ele funcionando plenamente, nenhum plano se sustenta. Exercício, esporte, acompanhamento médico — não é vaidade, é estratégia.
9. Progresso.
Ação vira progresso. Progresso vira ação. É um ciclo silencioso, quase invisível, mas implacável.
10. Confiança.
Mas não avance sem conhecimento. A pressa sem conhecimento pode levar a um pote… vazio.
“Viver com medo é viver pela metade.” — Joel J.
O Ano Novo não traz novidades. Ele oferece um espelho.
E nele vemos, com clareza desconfortável, quem estamos sendo — e quem precisamos nos tornar para que o próximo ano não seja apenas mais um.
Sem planos, não há ruptura.
Sem ruptura, não há conquista.
E então o Ano Novo chega…
mas nada, de fato, começa.


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