Nem Distância, Nem Frieza

A Verdade Silenciosa Sobre Correr Atrás das Pessoas

Às vezes pensamos que as pessoas se afastaram de nós. Mas talvez a verdade seja mais simples — e mais incômoda. Talvez apenas tenhamos parado de correr.

Passei anos confundindo esforço com amizade. Corria atrás de encontros, puxava conversas, sustentava pontes que, olhando agora, pareciam existir apenas do meu lado do rio. Dizia a mim mesmo que era assim mesmo, que os outros eram distraídos, ocupados, tímidos. A alma humana é engenhosa quando precisa justificar aquilo que teme admitir.

Mas um dia o corpo cansa antes mesmo de a razão compreender. E então algo muda silenciosamente: não é revolta, não é orgulho ferido. É apenas o momento em que o espírito percebe que está gastando a própria vida perseguindo pessoas que jamais dariam um passo em sua direção.

Foi nesse instante que parei.

Curiosamente, quando paramos de correr, algumas presenças desaparecem como névoa ao sol. Outras, poucas e raras, continuam ali — não porque foram chamadas, mas porque também caminham.

O filósofo romano Sêneca advertia que a vida é curta demais para ser desperdiçada com aquilo que não nos torna melhores. E talvez ele estivesse certo. Há relações que alimentam a alma, e há outras que apenas consomem o seu tempo.

Desde então aprendi algo simples, embora difícil de aceitar: quem realmente deseja estar ao seu lado não exige perseguição.

Basta um passo. Às vezes, apenas um.

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